AleaSoft Energy Forecasting, 2 de outubro de 2026. A nova ativação do Serviço de Resposta Ativa da Demanda (SRAD) evidencia a crescente necessidade de flexibilidade do sistema elétrico. Para os grandes consumidores, as baterias transformam esta necessidade numa oportunidade. Facilitam a participação no SRAD, fornecendo flexibilidade sem afetar diretamente os processos produtivos e, ao mesmo tempo, melhoram o aproveitamento do autoconsumo e reduzem as compras de eletricidade à rede.

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Uma nova ativação que confirma a necessidade de flexibilidade

No dia 28 de setembro, a Red Eléctrica voltou a recorrer ao Serviço de Resposta Ativa da Demanda. Segundo os dados publicados pelo operador do sistema no ESIOS, a ativação começou às 21:16, mobilizou 943 MW, 53% da potência adjudicada para o semestre, e atingiu uma energia de 1634,5 MWh. Ocorreu num momento em que a produção de energia eólica foi inferior à prevista.

Não se trata de um episódio isolado. Este ano já se registaram nove ativações do SRAD. Incluindo a de 28 de setembro, o registo da Red Eléctrica soma sete ativações desde 15 de julho, distribuídas por seis dias, às quais se somam as duas de 28 de janeiro. As nove ativações deste ano refletem uma realidade que irá ganhar peso à medida que a transição energética avança: além de dispor de produção suficiente, o sistema necessita de recursos capazes de responder com rapidez quando a produção e a procura se desviam do previsto. A flexibilidade adquire assim um valor económico próprio, para além do seu interesse técnico.

Para o segundo semestre de 2026, a Red Eléctrica adjudicou 1775 MW para a prestação do SRAD, a um preço marginal de 42,62 € por MW e hora de disponibilidade. O serviço é voluntário e remunerado, e pode ser prestado por fornecedores com uma potência mínima de 1 MW, de forma individual ou através de agregação. Cada ativação tem uma duração máxima de duas horas e um pré-aviso mínimo de 12,5 minutos.

Da redução da produção à gestão da energia

Tradicionalmente, a participação de um grande consumidor num mecanismo de resposta da procura tem sido associada à interrupção ou à redução temporária dos seus processos produtivos. Esta flexibilidade tem um custo. Nem todos os processos podem ser interrompidos com facilidade, e uma redução da atividade pode afetar a produção, o planeamento ou a eficiência da instalação.

As baterias permitem abordar o problema a partir de outra perspetiva. Um sistema de armazenamento behind-the-meter pode fornecer parte da energia de que a instalação necessita durante uma ativação do SRAD. Desta forma, o consumo de eletricidade da rede reduz-se sem necessidade de diminuir na mesma proporção a atividade dos processos produtivos.

O alcance concreto dependerá da configuração de cada instalação, dos seus perfis de consumo, da capacidade e potência da bateria e das condições de medição e de participação no serviço. Mas o princípio é claro: a flexibilidade de que o sistema necessita pode ser obtida gerindo quando e a partir de onde se consome a energia, sem recorrer necessariamente à alteração da produção industrial.

O SRAD pode contribuir para financiar o investimento em baterias

Esta mudança de abordagem altera também a equação económica do armazenamento de energia para os grandes consumidores. A rentabilidade de uma bateria behind-the-meter deve ser analisada tendo em conta todas as fontes de valor que pode proporcionar, para além da poupança que gera ao deslocar o consumo entre horas.

A primeira é um maior aproveitamento do autoconsumo. Uma instalação industrial com produção fotovoltaica pode armazenar a eletricidade que não consome nas horas solares e utilizá-la mais tarde, em vez de a comprar à rede. A esta poupança somam-se a gestão dos picos de consumo e a otimização da compra de eletricidade em função dos preços de mercado.

Quando a instalação reúne as condições para participar, surgem ainda receitas ligadas à flexibilidade, entre elas as do SRAD. Os prestadores do serviço são remunerados pela potência que mantêm disponível e, em cada ativação, pela energia fornecida, ao preço da regulação terciária desse momento. Na ativação de 28 de setembro, o preço médio ponderado foi de 196,91 €/MWh. Entre janeiro e agosto, o custo do SRAD para o sistema ascendeu a 286 milhões de euros, segundo a Red Eléctrica. Esta remuneração pode contribuir para recuperar o investimento realizado, e a bateria passa a ser também um ativo capaz de gerar receitas, além de poupança.

Uma mesma bateria, várias fontes de valor

A decisão de investimento não deveria apoiar-se numa única fonte de receitas ou de poupança. O desafio consiste em dimensionar e operar a bateria de forma a combinar autoconsumo, gestão de picos, compra otimizada e serviços de flexibilidade sem que umas funções limitem as outras.

Uma bateria concebida exclusivamente para maximizar o autoconsumo pode não ser a solução ótima para participar em serviços de flexibilidade, por exemplo, se a sua duração não cobrir as duas horas de uma ativação ou se estiver habitualmente descarregada ao fim da tarde e à noite, a faixa horária em que se concentraram as ativações registadas desde julho. Do mesmo modo, sobredimensionar uma bateria pensando apenas em receitas futuras dos mercados pode deteriorar a rentabilidade do projeto.

Por isso, antes de investir é necessário analisar conjuntamente os perfis horários de consumo e de produção, a evolução esperada dos preços da eletricidade, as oportunidades de participação nos diferentes mercados e serviços, a degradação da bateria e as restrições operacionais da instalação.

A flexibilidade será cada vez mais valiosa

O crescimento da energia eólica e da energia fotovoltaica está a transformar a operação do sistema elétrico. A sua produção depende das condições meteorológicas, e os desvios em relação às previsões geram necessidades adicionais de equilíbrio do sistema, como aconteceu a 28 de setembro. Ao mesmo tempo, a eletrificação da procura aumentará o papel dos consumidores no funcionamento do sistema.

Neste cenário, a capacidade de adaptar a procura deixa de ser uma resposta a situações excecionais e pode tornar-se mais uma linha da estratégia de gestão da energia de um grande consumidor. As baterias ampliam esta possibilidade porque desacoplam, pelo menos em parte, o consumo da rede do funcionamento dos processos produtivos.

A flexibilidade como fonte de valor para a indústria

As sucessivas ativações do SRAD mostram de forma concreta a mudança na operação do sistema elétrico. Para um grande consumidor, a questão já não é apenas quanto pode poupar instalando uma bateria. A questão é quanto valor pode gerar essa bateria combinando poupança, flexibilidade e receitas ao longo de toda a sua vida útil. As empresas que responderem a essa questão com previsões fiáveis e uma análise conjunta do seu consumo, do seu autoconsumo e dos mercados estarão em melhor posição para reduzir os seus gastos com eletricidade e rentabilizar a sua capacidade de adaptar o consumo.

Dimensionar e operar o armazenamento: o papel da AleaStorage

Quantificar o valor proporcionado pelo armazenamento de energia exige previsões de preços horários para toda a vida útil do ativo, cenários de spreads e volatilidade, e uma estimativa da frequência com que o sistema necessitará de recursos de flexibilidade. A AleaStorage, a divisão da AleaSoft Energy Forecasting especializada em armazenamento de energia, ajuda os grandes consumidores a analisar o dimensionamento e a operação ótimos dos seus sistemas de armazenamento, tendo em conta os seus perfis de consumo e autoconsumo, a evolução dos mercados de energia e as diferentes fontes de poupança e de receitas disponíveis, incluindo a participação em serviços de flexibilidade como o SRAD.

Fonte: AleaSoft Energy Forecasting

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