O mercado de capacidade: uma nova peça na bancabilidade das baterias, mas não a solução definitiva

AleaSoft Energy Forecasting, 5 de junho de 2026. A aprovação pela Comissão Europeia do mercado de capacidade em Espanha introduz um novo sinal para o armazenamento de energia, num contexto em que as baterias ganham protagonismo ao proporcionar firmeza e flexibilidade ao sistema elétrico. Para os projetos BESS, tanto autónomos como hibridizados com renováveis, este mecanismo abre novas possibilidades, mas não elimina a necessidade de uma análise financeira prudente e de longo prazo.

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O mercado de capacidade em Espanha pode tornar-se uma fonte relevante de receitas estáveis para as baterias, mas o financiamento dos projetos continuará a depender de uma modelização rigorosa das receitas de mercado, dos riscos de mercado, das obrigações de disponibilidade e da capacidade do projeto para cobrir o serviço da dívida a longo prazo.

A Espanha dispõe agora da aprovação europeia para a criação de um mercado de capacidade no sistema elétrico peninsular. O mecanismo prevê que a prestação de serviços de capacidade seja atribuída através de leilões competitivos de capacidade firme, remunerada em euros por MW por ano, com o objetivo de reforçar a segurança de abastecimento e facilitar a integração das energias renováveis através de tecnologias firmes e flexíveis, incluindo o armazenamento de energia.

Para os projetos de baterias, tanto autónomos como hibridizados com a fotovoltaica, este mecanismo pode representar uma mudança importante. Até agora, a bancabilidade de muitos projetos BESS apoiou-se principalmente nas receitas de mercado: arbitragem nos mercados diário e intradiário, mercados de ajuste, serviços de balanceamento, otimização de ciclos e a captura da volatilidade. A chegada dos pagamentos de capacidade acrescentaria uma fonte de receitas mais previsível, ligada à disponibilidade de capacidade firme em momentos críticos para o sistema.

No entanto, deve evitar-se uma interpretação simplista. O mercado de capacidade não substituirá a análise integral das receitas, nem tornará automaticamente financiável qualquer projeto BESS. Embora o mecanismo já disponha da aprovação europeia, ainda é necessário definir elementos-chave, como os coeficientes de derating ou de firmeza, as obrigações de disponibilidade, as penalizações por incumprimento, as garantias exigidas, a duração dos contratos, os requisitos técnicos, a compatibilidade com outras receitas e os preços resultantes dos leilões.

Além disso, as baterias não competirão sozinhas. Diferentes tecnologias capazes de proporcionar firmeza ou flexibilidade ao sistema poderão participar nos leilões, incluindo a geração despachável, o armazenamento e a resposta da procura (demand response). Por conseguinte, o valor captado pelos BESS dependerá não só da sua capacidade técnica, mas também do desenho final do mecanismo, da pressão competitiva e do volume de capacidade atribuído.

O sinal é claro: promotores, fundos, bancos e utilities devem começar a incorporar o mercado de capacidade nas suas análises estratégicas, mas com cautela. Não como uma receita garantida sem risco, mas como um cenário adicional que deve ser integrado em modelos financeiros robustos, com sensibilidades e pressupostos transparentes.

A chave da bancabilidade continuará a residir na qualidade das previsões. Para valorizar corretamente uma bateria, não basta assumir um pagamento fixo por MW/ano. É necessário simular, hora a hora e ao longo do prazo, a evolução dos preços dos mercados elétricos, dos spreads diário e intradiário, da volatilidade, da penetração das energias renováveis, do curtailment, da canibalização solar, da futura saturação do armazenamento, dos ciclos de carga e descarga, da degradação, da eficiência, das restrições operacionais e da participação nos mercados de ajuste.

Neste ponto, o DSCR, ou rácio de cobertura do serviço da dívida, torna-se uma métrica central. Os financiadores não olharão apenas para as receitas esperadas, mas também para a capacidade real do projeto de cobrir o serviço da dívida em cenários conservadores e com a maior proporção possível de receitas previsíveis ou contratadas, incluindo os pagamentos de capacidade. Um pagamento de capacidade pode melhorar o perfil de risco, mas se as receitas de mercado forem mal estimadas, se os spreads futuros forem sobrevalorizados ou se não se tiver em conta a entrada massiva de novas baterias, o projeto pode apresentar uma rentabilidade aparente que, no final, não se concretiza.

Será também importante analisar a possível canibalização do próprio mercado de capacidade. Se o desenvolvimento do armazenamento acelerar significativamente, a concorrência nos leilões poderá reduzir os preços atribuídos e limitar o impacto positivo desta receita no financiamento de novos projetos.

O mercado espanhol precisa de armazenamento, e as baterias precisam de sinais de longo prazo. Os leilões de capacidade podem ajudar a fechar esse círculo. Mas a verdadeira bancabilidade não virá apenas de uma nova linha de receitas reguladas ou semirreguladas, mas de uma visão completa do futuro mercado elétrico.

Para os BESS autónomos e para a hibridização com a fotovoltaica, a conclusão é clara: o mercado de capacidade deve começar a fazer parte das análises de investimento, mas sempre acompanhado de previsões horárias de longo prazo, cenários probabilísticos e uma modelização rigorosa de receitas, riscos, degradação, disponibilidade e DSCR.

O mercado de capacidade abre uma nova oportunidade para os BESS. A prudência técnica e financeira continuará a ser fundamental para os transformar em projetos genuinamente bancáveis.

A análise da AleaSoft Energy Forecasting para o armazenamento com baterias e a hibridização com renováveis

Para transformar esta oportunidade em projetos bancáveis, é essencial calcular as receitas esperadas, dimensionar o armazenamento de forma eficiente e definir estratégias de operação que maximizem a TIR e reduzam os riscos. Na AleaStorage, uma divisão da AleaSoft Energy Forecasting, estas análises são realizadas para projetos autónomos e sistemas híbridos com energias renováveis através de simulações de preços horários futuros, cenários probabilísticos, algoritmos de otimização e uma visão completa das oportunidades de mercado, incluindo a potencial participação em leilões de capacidade.

Fonte: AleaSoft Energy Forecasting.

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