AleaSoft Energy Forecasting, 30 de outubro de 2026. A diferença entre as horas com os preços de mercado mais baixos e as horas com os preços mais altos permite avaliar o valor da flexibilidade da procura industrial. Uma simulação baseada nos preços do mercado diário de 2026 ilustra o potencial de deslocar parte do consumo dentro do mesmo dia. A sua aplicação exige conhecer os limites de cada processo, as condições de compra de energia e os riscos das decisões operacionais.
A diferença dos preços horários altera o custo do consumo industrial
O mercado elétrico espanhol apresenta diferenças entre os preços das horas centrais do dia e os do anoitecer. Um exemplo é o dia 24 de outubro, quando o preço médio do mercado diário se situou em cerca de 137 €/MWh, mas grande parte das horas centrais do dia registou um preço nulo, enquanto os preços subiram ao anoitecer. Em setembro, a média mensal do mercado diário foi de 143,25 €/MWh, mais do dobro da registada um ano antes. No entanto, registaram-se 32 horas com preços nulos ou negativos durante o mês. Nos três primeiros trimestres do ano, o preço médio foi de 74,10 €/MWh, embora nesse período se tenham acumulado 936 horas com preços nulos ou negativos.
Esta diferença pode representar uma oportunidade para os grandes consumidores que possam deslocar o seu consumo para horas com preços mais baixos. No entanto, o valor de deslocar parte do consumo para as horas com preços mais baixos deve ser quantificado para cada instalação. A resposta depende do processo produtivo e das condições de compra de energia. Uma média diária ou mensal é insuficiente para estimar o custo de perfis de consumo diferentes.
A gestão da procura exige relacionar cada decisão operacional com o preço das horas afetadas. Antes de alterar um programa de produção, convém comparar a poupança energética esperada com os requisitos de funcionamento e os custos de adaptação do processo. O objetivo deve ser melhorar o resultado económico da atividade industrial, mantendo os seus requisitos de produção.
Fonte: Preços horários do mercado MIBEL de Espanha durante o mês de setembro de 2026, disponíveis na Alea Energy DataBase.Uma simulação para quantificar o valor da deslocação do consumo
Para dar uma ordem de grandeza, a AleaSoft Energy Forecasting simulou o custo da energia de um consumidor industrial com perfil plano face ao de outro que deslocasse, dentro do mesmo dia, 10% e 20% do seu consumo para as horas com preços mais baixos. O exercício utiliza os preços do mercado diário de 1 de janeiro a 27 de outubro de 2026, um período de 300 dias.
O perfil plano teria pago uma média de 81,70 €/MWh. Ao deslocar 10% do consumo, a média desce para 69,24 €/MWh, uma diferença de 12,46 €/MWh e uma poupança de 15,3%. Com uma deslocação de 20%, o custo médio desce para 60,93 €/MWh, uma diferença de 20,77 €/MWh e uma poupança de 25,4%.
Os resultados variam de dia para dia. Para a deslocação de 10%, a poupança diária vai de 4,35 €/MWh no percentil 10 a 20,78 €/MWh no percentil 90, com uma mediana de 11,86 €/MWh. Para a deslocação de 20%, os valores correspondentes são 7,21 €/MWh, 35,05 €/MWh e 20,09 €/MWh. Esta dispersão aconselha a analisar a distribuição dos resultados, além da poupança média, ao avaliar uma estratégia de flexibilidade.
As condições do exercício delimitam a sua aplicação
O cálculo considera exclusivamente o preço da energia do mercado diário. Exclui tarifas de acesso às redes e encargos, margens de comercialização e outros custos alheios a esse preço. Por conseguinte, as percentagens obtidas referem-se à componente analisada e não representam uma redução equivalente dos custos totais de eletricidade.
A simulação parte de um consumo constante de 1 MWh por hora, todos os dias do período. Em nenhuma hora o consumo pode exceder em mais de 50% o seu nível de base e a deslocação realiza-se dentro do mesmo dia. Estas condições delimitam a capacidade de adaptação atribuída ao consumidor do exercício.
A análise também não pressupõe que todos os processos industriais possam ser deslocados. Os seus resultados refletem os preços observados no período estudado e não constituem uma previsão de poupança. Ao transpor o exercício para uma instalação concreta, seria necessário incorporar as suas restrições operacionais e comparar o custo com o seu contrato de fornecimento. A simulação oferece uma referência para estudar o potencial de adaptação, sem garantir que outro consumidor obtenha os mesmos resultados.
A flexibilidade exige conhecer os limites do processo produtivo
Uma indústria que pretenda explorar esta possibilidade deverá começar por identificar que carga deslocável tem e durante quanto tempo pode alterar o seu consumo. Depois, convém prever a sua disponibilidade horária dentro dos limites do processo e otimizá-la face aos preços previstos. A comparação entre o consumo previsto e o real permite rever os pressupostos utilizados. Assim, a empresa pode avaliar se a estratégia proporciona uma poupança suficiente para justificar a sua aplicação.
O autoconsumo e as baterias atrás do contador poderiam alargar as opções de gestão em alguns casos. A sua incorporação exige estudar em conjunto a procura, a produção disponível e as possibilidades de armazenamento. A análise de cada instalação deve determinar que combinação merece uma avaliação económica mais detalhada.
Previsões e análises para avaliar a flexibilidade industrial
A AleaBlue, a divisão da AleaSoft Energy Forecasting especializada em previsões de curto e médio prazo, fornece previsões de preços e de procura de eletricidade. Esta informação permite traçar cenários para estudar a adaptação do consumo e avaliar decisões de compra de energia.
Por sua vez, a AleaStorage oferece análises de receitas e poupanças do armazenamento de energia, de dimensionamento e de estratégias de exploração, com aplicações que incluem o autoconsumo com baterias. Estas análises permitem estudar a incorporação do armazenamento nas opções de gestão de uma instalação industrial.
A eletrificação da indústria exige avaliar como adaptar a procura a um sistema com diferenças de preços entre horas. Conhecer o perfil de consumo, quantificar a sua flexibilidade e dispor de previsões permite decidir que alterações operacionais vale a pena aplicar. A oportunidade deve ser medida para cada consumidor, com as suas restrições e condições de contratação, antes de converter uma poupança ilustrativa numa expectativa de investimento.
Fonte: AleaSoft Energy Forecasting
