AleaSoft Energy Forecasting, 16 de outubro de 2026. A descida dos preços capturados pela energia fotovoltaica tornou mais difícil financiar novos projetos sem armazenamento. A hibridização com baterias pode mudar esta situação ao proporcionar flexibilidade e novas fontes de receitas, sobretudo quando parte dessas receitas é contratada a longo prazo e oferece a visibilidade que as entidades financeiras procuram.

AleaSoft - baterias nova via financiamento solar fotovoltaica

O financiamento de energias renováveis e de projetos de armazenamento foi um dos temas centrais do 70.º webinar da AleaSoft Energy Forecasting, realizado a 15 de outubro com a participação da Deloitte pelo sétimo ano consecutivo.

O evento evidenciou a mudança que o financiamento de projetos renováveis tem sofrido nos últimos anos. Obter financiamento para novas centrais fotovoltaicas sem armazenamento tornou-se muito mais complexo, ao passo que os bancos olham com crescente interesse para os projetos com baterias e, em particular, para a hibridização do armazenamento com instalações fotovoltaicas.

A fotovoltaica sem armazenamento enfrenta um financiamento mais exigente

O forte crescimento da produção fotovoltaica aumentou a frequência de preços baixos nas horas solares e corroeu os preços capturados desta tecnologia. Esta situação afeta projetos financiados com expectativas de receitas mais elevadas e, em alguns casos, obriga a rever ou a refinanciar as estruturas de dívida.

As entidades financeiras são também particularmente prudentes relativamente à exposição merchant e exigem maior visibilidade sobre as receitas futuras antes de assumirem risco em novos projetos.

A energia fotovoltaica não deixou de ser um investimento sólido a longo prazo. Os projetos têm vidas úteis de várias décadas e as atuais condições de mercado não têm de se manter durante toda a sua vida. No entanto, a forma de obter financiamento está a mudar e os novos projetos precisam de estruturas capazes de enfrentar uma maior volatilidade e preços capturados mais baixos nas horas solares.

A hibridização melhora o perfil de receitas da fotovoltaica

Acrescentar uma bateria muda o perfil económico de uma central fotovoltaica. Em vez de vender a eletricidade no momento em que é produzida, o armazenamento permite deslocar parte da produção para horas com preços mais elevados, aproveitando os spreads de preços do mercado.

Os mesmos spreads que penalizam os preços capturados pela fotovoltaica criam oportunidades para as baterias. Por isso, a hibridização deixou de ser apenas uma opção para aumentar a rentabilidade e passou a servir também para melhorar a estrutura financeira dos projetos.

Os bancos que tradicionalmente participam no Project Finance de projetos renováveis já estão a analisar estas operações. No entanto, o armazenamento tem menos referências históricas do que a fotovoltaica ou a eólica, pelo que os comités de risco mantêm critérios conservadores. As primeiras operações serão essenciais para criar referências, validar os pressupostos de receitas e aumentar a confiança das entidades financeiras.

As receitas contratadas serão fundamentais para o financiamento

Os projetos de baterias combinam diferentes fontes de receitas, desde a arbitragem no mercado de eletricidade até à participação nos serviços de sistema e noutros mercados. Do ponto de vista do financiamento, os bancos valorizam especialmente as estruturas que asseguram parte destas receitas durante vários anos.

Durante o webinar, foram analisadas fórmulas como os contratos de tolling, os contratos com otimizadores e as estruturas de revenue share com um patamar mínimo de receitas. Estes mecanismos renunciam a parte do potencial de ganho em troca de uma maior estabilidade e previsibilidade dos fluxos de caixa.

O novo mercado de capacidade pode também desempenhar um papel relevante. As suas receitas podem não ser suficientes, por si só, para determinar a rentabilidade de uma bateria, mas a sua natureza contratada ajuda a tornar um projeto financiável.

A distinção entre rentabilidade e bancabilidade será cada vez mais importante. Um projeto pode apresentar uma rentabilidade atrativa e, ainda assim, ser difícil de financiar se as suas receitas forem demasiado incertas. Do mesmo modo, acrescentar receitas contratadas facilita o acesso à dívida, mesmo que limite parcialmente o potencial de receitas do ativo.

Uma bateria também acrescenta complexidade

A hibridização não transforma automaticamente uma central fotovoltaica num projeto financiável. As receitas de uma central renovável convencional dependem fundamentalmente da produção e do preço capturado. Uma bateria, em contrapartida, tem de ser gerida ativamente, e as suas receitas dependem do momento em que carrega e descarrega, dos mercados em que participa, do número de ciclos, da degradação e da estratégia de operação.

Uma utilização mais intensiva pode aumentar as receitas, mas pode também acelerar a degradação e antecipar investimentos de substituição de determinados componentes. O modelo financeiro tem de refletir todos estes fatores.

Por isso, o financiamento de baterias exige um conhecimento integrado da tecnologia, dos mercados de eletricidade e da estratégia de operação. Aumenta também a importância dos assessores técnicos e de mercado, que dão às entidades financeiras confiança nos pressupostos utilizados.

As previsões passam a fazer parte da estrutura financeira

Este cenário reforça o papel das previsões de mercado. Para estimar as receitas futuras de uma bateria, não basta um spread médio esperado multiplicado por um número de ciclos diários. A operação ótima muda todos os dias em função dos preços, do estado de carga, da operação anterior e das oportunidades nos diferentes mercados.

Uma avaliação robusta precisa de simulações horárias de preços de longo prazo e de múltiplos cenários sobre a evolução da procura, da capacidade renovável instalada, da meteorologia e das restantes variáveis que irão moldar o mercado de eletricidade. Sobre esses cenários, é necessário reproduzir a forma como a bateria funcionaria realmente, com as suas restrições técnicas, a sua degradação e as suas diferentes fontes de receitas.

As curvas de preços e as previsões de receitas tornam-se um dos principais dados de entrada do modelo financeiro. Têm de ser robustas e justificáveis perante investidores, bancos, auditores e as restantes partes interessadas no projeto.

Do financiamento da produção ao financiamento da flexibilidade

Durante anos, a expansão da energia fotovoltaica assentou em ativos relativamente simples de modelar: uma previsão de produção, uma previsão de preços e uma estimativa de receitas. A crescente penetração solar e a volatilidade dos preços tornam esse esquema cada vez mais insuficiente.

Os novos projetos serão mais flexíveis e irão gerir quando produzem, armazenam ou vendem energia. As baterias armazenam eletricidade e podem também devolver capacidade de financiamento aos novos projetos fotovoltaicos, desde que se combinem custos de investimento competitivos, previsões robustas, uma operação eficiente e estruturas contratuais com visibilidade de receitas. À medida que mais operações forem fechadas e os bancos acumularem experiência, o financiamento deverá expandir-se.

A hibridização pode, assim, reativar o desenvolvimento da energia fotovoltaica, com a rentabilidade, a flexibilidade e a bancabilidade analisadas em conjunto.

O papel da AleaStorage e da AleaGreen no financiamento de projetos híbridos

Neste contexto, a AleaStorage, a divisão da AleaSoft Energy Forecasting especializada em armazenamento de energia, analisa as receitas de baterias autónomas e de projetos de hibridização com fotovoltaica, dimensiona a bateria e avalia a sua operação nos diferentes mercados. Por sua vez, a AleaGreen elabora previsões de longo prazo com um horizonte de até 40 anos, que sustentam o financiamento de projetos de energias renováveis.

A metodologia da AleaSoft Energy Forecasting combina Inteligência artificial, séries temporais e modelos estatísticos. Esta metodologia única gera cenários coerentes que bancos, investidores e auditores podem verificar ao avaliar a bancabilidade de um projeto.

Fonte: AleaSoft Energy Forecasting

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