AleaSoft Energy Forecasting, 27 de outubro de 2026. A evolução dos preços do mercado de eletricidade e das receitas capturadas pela fotovoltaica coloca novos desafios ao financiamento de projetos de energias renováveis. Adaptar a dívida, rever os PPA e avaliar a hibridização com baterias pode melhorar a rentabilidade e a bancabilidade das centrais existentes. As previsões de longo prazo e os cenários probabilísticos são a base para tomar estas decisões.

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O preço médio do mercado já não basta para avaliar uma central fotovoltaica

O crescimento da produção de energia solar fotovoltaica está a transformar o perfil horário dos preços do mercado de eletricidade espanhol. A concentração da produção durante as horas solares aumenta a pressão descendente sobre os preços nesses períodos, enquanto outras horas do dia registam preços muito superiores.

Os dados do mercado diário espanhol mostram esta diferença. Entre janeiro e setembro de 2026, o preço médio foi de 74,10 €/MWh, face aos 63,39 €/MWh do mesmo período de 2025. No entanto, o preço médio da faixa entre as 10:00 e as 18:00 desceu de 30,92 €/MWh para 23,87 €/MWh. Esta comparação de faixas horárias não representa o preço capturado real de uma central, que depende da sua produção horária, mas ilustra a importância do perfil de produção.

Nos primeiros nove meses de 2026 registaram-se também 747 horas com preços negativos, face a 535 no mesmo período de 2025. Estes dados refletem um mercado em que a distribuição horária dos preços tem uma influência crescente nas receitas dos ativos renováveis.

Por conseguinte, para avaliar uma central fotovoltaica não basta conhecer a evolução esperada do preço médio do mercado. É necessário analisar os preços capturados, a produção horária, as possíveis limitações por curtailment e a exposição do projeto aos diferentes cenários de mercado.

Rentabilidade e estrutura financeira: dois aspetos que devem ser analisados em conjunto

A evolução das receitas de algumas centrais fotovoltaicas pode tornar necessário rever as suas estruturas financeiras. No entanto, uma redução das receitas face às expectativas iniciais não significa necessariamente que o projeto tenha deixado de ser viável.

É importante distinguir entre a capacidade de uma central para gerar caixa suficiente e o cumprimento dos rácios financeiros exigidos pelos seus contratos de financiamento.

O rácio de cobertura do serviço da dívida, conhecido como DSCR, relaciona o fluxo de caixa disponível com as obrigações de pagamento de capital e juros. Um projeto pode manter a capacidade de fazer face aos seus pagamentos e, ao mesmo tempo, situar-se abaixo dos níveis de cobertura exigidos contratualmente, consoante as condições do seu financiamento.

Esta distinção é relevante porque as soluções podem ser diferentes. Em determinados casos, a revisão do calendário de amortização, dos prazos do financiamento ou das condições de cobertura pode ajudar a adaptar a estrutura financeira à evolução esperada das receitas.

O objetivo é um equilíbrio entre a rentabilidade do ativo, a capacidade de reembolso e o risco assumido pelas instituições financeiras.

Previsões probabilísticas para dimensionar a dívida

Num mercado com uma variabilidade de preços crescente, uma única curva de previsão não basta para avaliar todos os riscos de um investimento de longo prazo.

As decisões de financiamento exigem a análise de diferentes cenários de receitas, desde uma previsão central até situações mais conservadoras, com probabilidades associadas. Esta abordagem permite avaliar como evoluiria a capacidade de reembolso do projeto perante diferentes condições de mercado e determinar uma estrutura de dívida coerente com o seu perfil de risco.

As métricas probabilísticas, como os cenários P10, P50 e P90, permitem estudar a distribuição dos resultados possíveis, desde que se especifique se os percentis expressam probabilidades de excedência. Para o financiamento, é particularmente importante saber o que acontece às receitas e aos rácios financeiros nos cenários menos favoráveis.

Neste contexto, os valores AleaLow, desenvolvidos pela AleaSoft Energy Forecasting, estimam um preço para o qual existe uma probabilidade específica de o preço médio do mercado o superar ao longo de um conjunto de anos. São calculados diretamente a partir de simulações de preços para vários períodos de anos. As probabilidades mais solicitadas são 75%, 85% e 90%, embora possam ser calculadas para outras. De forma análoga, os valores AleaLow PV representam o cenário mais baixista dos preços capturados da fotovoltaica para um conjunto de anos com uma probabilidade associada.

Estas métricas fornecem uma referência probabilística para a análise de riscos e o dimensionamento da dívida, evitando depender exclusivamente de um cenário central ou de pressupostos conservadores arbitrários. A sua aplicação deve ser complementada com a simulação da produção e dos fluxos de caixa do projeto durante o período de financiamento.

Refinanciamento, PPA e adaptação dos ativos

A revisão do financiamento não se deve limitar às condições da dívida. Os contratos de compra e venda de energia, as estratégias de comercialização e as características técnicas do ativo também influenciam a sua rentabilidade futura.

Os PPA podem proporcionar estabilidade e visibilidade de receitas, embora o seu contributo dependa de aspetos como o preço acordado, o volume contratado, o perfil de entrega, a duração e as obrigações assumidas pelas partes.

Consoante as circunstâncias de cada projeto, pode ser aconselhável estudar novas estruturas contratuais, rever as coberturas de mercado ou renegociar determinados termos do refinanciamento.

Estas alternativas exigem previsões de longo prazo que permitam comparar o seu impacto económico e avaliar a evolução das receitas e dos riscos ao longo de toda a vida do ativo.

A hibridização com baterias como alternativa para melhorar a rentabilidade

A incorporação de sistemas de armazenamento BESS é outra forma de adaptar as centrais fotovoltaicas às novas condições do mercado.

As baterias permitem armazenar parte da energia e deslocar a sua venda para horas de maior valor, além de abrirem oportunidades de participação noutros mercados e em serviços de balanço, quando as condições técnicas e regulatórias o permitem.

No entanto, a rentabilidade de uma central híbrida não se calcula simplesmente somando as receitas de uma bateria às da central fotovoltaica. Ambas as tecnologias devem ser analisadas em conjunto, otimizando a operação em função dos preços previstos, das restrições técnicas, da eficiência, da degradação e das condições de acesso à rede.

A hibridização pode alterar tanto o nível como a distribuição das receitas futuras e, em determinadas configurações, reduzir a exposição às horas com preços mais baixos. Contudo, incorporar armazenamento implica um investimento adicional, cujo financiamento deve ser justificado com cenários de receitas realistas e uma avaliação dos riscos de longo prazo.

Por isso, a decisão de hibridizar deve basear-se numa análise de rentabilidade e bancabilidade específica de cada central.

Um futuro sólido para a fotovoltaica com estruturas financeiras adaptadas

A fotovoltaica continuará a ser um dos principais motores da transição energética rumo a um sistema elétrico com maior presença renovável. O desafio consiste em adaptar os projetos, as suas estratégias de comercialização e as suas estruturas financeiras à evolução dos mercados.

O futuro da fotovoltaica é promissor. A combinação de uma maior flexibilidade operacional, de estruturas de financiamento adaptadas e de previsões científicas coerentes irá reforçar a rentabilidade dos projetos e facilitar o financiamento a longo prazo.

Previsões, análise e assessoria para o financiamento fotovoltaico: o papel da AleaSoft

A AleaGreen, a divisão da AleaSoft Energy Forecasting especializada em previsões de longo prazo, fornece curvas de preços do mercado de eletricidade com granularidade horária e horizontes até 40 anos. Estas previsões permitem estimar os preços capturados da fotovoltaica e servem de base para a avaliação de PPA e o financiamento de projetos de energias renováveis.

A AleaStorage, a divisão especializada em armazenamento de energia, analisa projetos de hibridização com energia solar fotovoltaica e eólica para maximizar receitas e reduzir riscos, estima as receitas das baterias nos mercados de energia e nos serviços de balanço e modela cenários de preços e de volatilidade de longo prazo.

Por sua vez, a AleaConsulting elabora relatórios de mercado, bem como relatórios regulatórios e periciais, e realiza auditorias de previsões de mercado para processos de avaliação, due diligence e M&A, enquanto a AleaHub facilita a compra e venda de PPA, ativos e projetos renováveis, e o acesso ao financiamento.

Fonte: AleaSoft Energy Forecasting

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